Aparecida: a arte a serviço da fé e da evangelização

Padre Pedro André, SDB e Laura Lo Monaco - Vatican News

Dentre os membros da equipe do Centro Aletti que está em Aparecida, para o revestimento da fachada sul do Santuário, se encontra o artista sacro Erasmo de Abreu, 40 anos, de Castanhal no Estado do Pará. Ele concedeu uma entrevista ao Vatican News, contando um pouco de sua experiência no trabalho de revestimento da Basílica e sua visão a respeito da devoção dos brasileiros que peregrinam até Aparecida, ao encontro da Padroeira do Brasil.

Como muitos no Brasil, minha história de fé se iniciou na comunidade, onde ganhamos esta experiência de Igreja desde pequeno, acompanhado pelos meus pais e catequistas. Minha experiência na arte se iniciou com a minha aproximação com a diocese de Castanhal e o bispo dom Carlos Verzeletti, fundador de uma escola de arte, que me ajudou a compreender e me interessar mais sobre a vida da arte da Igreja, ajudando a aprofundar meus conhecimentos e habilidades. Ele me apresentou La Frank, Arcabas, padre Rupnik, Claudio Pastro, onde fomos misturando um pouco os estilos e chegamos à arte que desenvolvemos hoje nas paróquias.

Qual a importância da arte num templo católico?

Dentro da concepção daquilo que aprendi e daquilo que já vivi: a palavra de Deus tem muita força, a evangelização tem muita força, são de grande importância; é aquilo que norteia toda nossa caminhada como cristãos, como católicos, como pessoas que tem acesso ao Cristo através da Palavra, através do Anúncio, através da Tradição. A arte no templo católico abre caminhos e portas para que pessoas que não tenham tido a oportunidade de encontrarem-se com Deus, se aproximem muito mais e assim se despertem para um encontro através de uma imagem. A arte tem essa importância de provocar um encontro, um questionamento, de se perguntar o que aquela arte está dizendo e porque nós a encontramos ali. A arte que eu tenho visto, proposto e aprendido oferece muito isso: provoca um encontro, um questionamento, uma aproximação com Deus.

Como você conheceu o padre Rupnik, e como se tornou seu colaborador?

Conheci o padre Rupnik através do bispo dom Carlos Verzeletti. Como já fazíamos alguns trabalhos nas paróquias da diocese de Castanhal, um dia dom Verzeletti me propôs morar um tempo na Itália, no Centro Aletti (onde Padre Rupnik era diretor), e ali fazer uma experiência mais profunda acerca da arte, da teologia que norteia a arte, e da comunidade de artistas que gera, produz e vive toda essa arte que oferece para todo o mundo. Assim, ingressei nesta comunidade de artistas e me tornei colaborador do grupo.

Como se desenvolve o trabalho no Ateliê de Castanhal?

No retorno à Castanhal, há 3 anos atrás, nós colocamos em pé o ateliê AMACOM: o ateliê de artes e mosaicos da Amazônia, no qual estamos trabalhando desde sua fundação em setembro de 2019. Nos trabalhos desenvolvidos no ateliê nós buscamos manter o que aprendemos na Itália, do que vivemos no centro Aletti, do que absorvemos como teologia, iconografia, leitura e interpretação do Evangelho através de imagens. Assim nós temos levado adiante um grupo coeso e que tem muita facilidade de compreender aquilo que o centro Aletti oferece.

Como é a experiência de trabalhar com mosaicos no Santuário de Aparecida? Você já havia trabalhado na primeira fase?

Sim, na primeira fase eu já havia trabalhado e eu jamais poderia sonhar que um dia estaria trabalhando em um Santuário tão importante para nós brasileiros; eu como artista brasileiro poder oferecer algo que já faço com as minhas mãos, mas muito mais de poder oferecer algo como filho deste país tão devoto de Maria é uma alegria muito grande. A experiência de poder fazer mosaicos aqui no Santuário é um presente dado por Deus para mim e para minha equipe. Hoje sou muito mais feliz de poder trazer aqui um pequeno grupo de artistas para poder colaborar junto com pessoas tão experientes, tão doadas, tão entregues a esse trabalho que é tão bonito. É uma alegria muito grande poder fazer parte dos trabalhos de Aparecida.

Quantos fazem parte da equipe de trabalho nesta fase? De onde eles são?

Nós somos um número de aproximadamente 42 pessoas, vindas de muitos países do mundo, como por exemplo Itália, México, Argentina, Polônia, República Tcheca, Eslovênia, Monte Negro, Albânia, Líbano, Filipinas, Ucrânia, Venezuela, Croácia e Brasil, claro. É um grupo misto, cheio de culturas diferentes e isto nos enriquece muito.

Como se desenvolve o trabalho de cada dia?

Nós começamos bem cedo, com o café da manhã. Trabalhamos das 7h30 às 18h30, com pausa ao meio-dia para a celebração da Santa Missa. Durante todo o dia trabalhamos nos mosaicos e fazemos as refeições juntos.

Nestes últimos dias, devido às festividades da padroeira, muitos peregrinos chegaram a pé, de longas distâncias. Há alguma experiência que mais tenha chamado sua atenção?

Eu sempre me comovo com os grupos, com as expressões das pessoas, de como as pessoas vem até o Santuário para rezar, para confiar aquilo que Deus faz de forma tão pessoal em suas vidas. É interessante ver como cada um está ali por aquilo que recebeu ou por aquilo que se sente bem em agradecer ou por poder estar visitando a casa da Mãe. Cada pensamento, cada vida pessoal, cada milagre que aconteceu na vida de alguém se coloca junto com o de outras pessoas e de repente nós temos um mar de pessoas na mesma fé. Ver pessoas de todas as cores, todas as raças, todas as classes no mesmo sentido de encontrar com Maria, de agradecer a Deus por aquilo que recebe, isso me comove muito.

Como os seus colegas estrangeiros veem as demonstrações de fé do povo brasileiro? 

Eles se comovem com a devoção do povo brasileiro. Aqui no Brasil as pessoas são muito devotas. Os estrangeiros olham com muita atenção para isso. Eu observo que meus colegas artistas também são atingidos por essa devoção. Algumas vezes observo que alguns deles se colocam em oração diante da imagem de Nossa Senhora Aparecida antes de começar o trabalho dos mosaicos, como um bom peregrino brasileiro. Isso me deixa muito contente e muito feliz de poder participar com eles da mesma oração, da mesma fé.

 
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