JMJ 2023: do Algarve para Beja, peregrinação dos símbolos continua

Rui Saraiva – Portugal

A última celebração da peregrinação dos símbolos da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) no Algarve decorreu no Santuário de Nossa Senhora da Piedade, também conhecido como Santuário da Mãe Soberana.

Uma vigília de oração a fechar um mês inesquecível de peregrinação da cruz e do ícone nas paróquias da diocese do Algarve, que agora continua em Beja. Informação que nos chega na crónica do jornalista Samuel Mendonça, diretor do jornal diocesano do Algarve “Folha do Domingo”.

Abrir o coração para que Deus aconteça

 

“Após um mês inesquecível de peregrinação por cerca de 25 das paróquias da Diocese do Algarve e percorridos os quase 130 quilómetros de sinuoso percurso desde Loulé, serra do caldeirão adentro, até Mértola, os símbolos da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) foram passados no último sábado pelos seus jovens como testemunho aos jovens da vizinha Diocese de Beja.

Na véspera, já os algarvios se tinham despedido da cruz e do ícone mariano que pela terceira vez desde 2003 visitaram a diocese, agora mais demoradamente desde o dia 29 de outubro passado, tendo percorrido as quatro vigararias que constituem a Igreja diocesana do Algarve.

O adeus ocorreu numa vigília de oração realizada em Loulé, no maior santuário algarvio e mariano, dedicado a Nossa Senhora da Piedade, popularmente evocada como Mãe Soberana, precedida por uma caminhada pela secular ladeira acima até à igreja implantada sobre a colina sobranceira à cidade.

Na celebração a que presidiu, o bispo da Conferência Episcopal Portuguesa destacado para a organização da JMJ 2023 lembrava que aqueles símbolos “já se encontraram com tantos e tantos olhares, já se cruzaram com tantos corações” e que “foram muitos e muitas aqueles que trocaram, tocaram, suplicaram, rezaram, sorriram, choraram perante estes símbolos” e “continuam a ter gravada na sua memória, no seu coração, esse momento em que se puderam abeirar dos símbolos da JMJ”. “Temos de ter a capacidade de abrir o nosso coração para que Deus aconteça”, desafiou D. Américo Aguiar, apontando à consequência deste mês de peregrinação.

E porque essa é a experiência que está a ser vivida no Algarve, a prova é a última semana da cruz e do ícone mariano na diocese que ficou marcada pela iniciativa dos jovens da paróquia da matriz de Portimão. Motivados pela presença dos símbolos da JMJ na sua comunidade paroquial, mobilizaram-se para ajudar na elaboração de cabazes de alimentos que a Cáritas paroquial prepara semanalmente para entregar a quem infelizmente deles precisa.

Os voluntários elaboraram algumas dezenas de sacos de alimentos. Após o serviço, os jovens dirigiram-se à igreja paroquial onde permanecia a cruz e o ícone mariano para fazerem uma oração de agradecimento pelo dom da caridade e pelo serviço abnegado da sua comunidade.

Na vigília do último sábado, o bispo do Algarve também advertiu que este mês de “verdadeira peregrinação espiritual” tem de continuar. D. Manuel Quintas pediu aos jovens que não digam que os símbolos “passaram pelo Algarve”, mas que “continuam a passar” e a transformar a vida de cada um. “Esta será seguramente a melhor maneira de nos prepararmos para a grande celebração de 2023 em Lisboa”, afirmou, confiante de que a resposta da juventude algarvia continue a ser a da disponibilidade de coração para amar e servir os outros, testemunhando Cristo àqueles com quem se cruzam. 

Só assim, o objetivo cumprido durante o último mês de levar aqueles sinais de Jesus às periferias, mais existenciais do que geográficas, continuará a ser realizado com o propósito de transformar vidas.”

Partilhar a Fé com outros jovens

 

Foi no dia 27 de novembro que os símbolos da JMJ chegaram à diocese de Beja, na cidade de Mértola, que acolhia nessa ocasião o Dia Diocesano da Juventude. Lançamos o desafio ao padre Francisco Molho, diretor do Comité Organizador Diocesano de Beja da JMJ, que os jovens testemunhassem este momento com uma crónica em texto e em áudio. Aceite o desafio, o texto que nos chegou é da autoria dos grupos de jovens do Salvador de Beja e de Cuba. A leitura áudio é do Miguel Cascalheira.

“Falar das Jornadas Diocesanas da Juventude (JDJ) é falar da dimensão que a fé atinge na vida dos Jovens a nível Diocesano, da quantidade de Jovens que amam Jesus e sentem conforto Nele e com Ele.

Sob o tema “Levanta-te! Eu te constituo testemunha do que viste!” (At 26,16), reuniram-se cerca de 250 jovens da Diocese de Beja, no dia 27/11/2021, em Mértola para celebrar o Dia Diocesano da Juventude e simultaneamente para receber os Símbolos Oficiais da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) que com a bênção do Senhor se realizará em Lisboa, em 2023.

Foi sem dúvida alguma um momento marcante na nossa caminhada enquanto jovens cristãos, na medida em tivemos oportunidade de partilhar a Fé com outros jovens que também se identificam com Jesus Cristo.

Este dia incluiu momentos de Oração / Adoração / Reconciliação; de Testemunhos de pessoas que já participaram noutras Jornadas Mundiais da Juventude; de Missão / Caminhada e o ponto alto: a passagem dos Símbolos da JMJ da Diocese do Algarve, para a Diocese de Beja. Alguns de nós tiveram a oportunidade de carregar os símbolos, o que nos fez sentir privilegiados. Existiram também momentos de convívio entre os jovens, a oportunidade de fazer novas amizades, sempre com as devidas precauções devido à pandemia. Este convívio envolveu também Sacerdotes e os Catequistas que estiveram presentes e inclusivamente o Senhor Bispo, que nos acompanhou durante todo o dia e nos ajudou a viver e a interiorizar melhor esta experiência única na nossa vida.

Este fantástico dia terminou com a Eucaristia de envio, com a liturgia do primeiro Domingo do Advento, no final da qual foi entregue a cada Paróquia a vela que simboliza a JMJ e que deverá ser colocada no centro da Coroa do advento em cada Igreja Paroquial.

Esta JDJ fez-nos refletir com mais clareza sobre a grande responsabilidade que nós, jovens da Diocese de Beja, e todos os jovens Cristãos portugueses temos. É fundamental, tal como referiu D. Américo Aguiar, que ‘todas as pessoas entre os 14 e os 30 anos pelo menos tomem conhecimento da JMJ Lisboa 2023’. Este é também o desafio que nos é colocado. Nós vimos, vivemos, tocámos, agora somos testemunhas e temos a obrigação de passar esta mensagem não só através de palavras, mas sobretudo através da vivência da nossa Fé. Só com o entusiamo próprio da Juventude e com a força que a Fé nos dá, poderemos transmitir a alegria de ser Cristão, de pertencer à Igreja de Cristo e de querermos fazer com Ele um encontro pessoal, na presença do Papa e no meio de uma multidão de irmãos das mais variadas nacionalidades.”

Desde 27 de novembro que os símbolos da JMJ foram acolhidos pela diocese de Beja. Muitos vão ser os momentos, testemunhos e informações que os jovens alentejanos aqui partilharão connosco neste mês de dezembro.

A Peregrinação dos Símbolos da Jornada Mundial da Juventude em Portugal é organizada pelo Departamento Nacional da Pastoral Juvenil que é um secretariado da Comissão Episcopal Laicado e Família da Conferência Episcopal Portuguesa.

Laudetur Iesus Christus

 
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